Quando a Bizzu foi criada, em 2012, o mercado publicitário vivia uma mudança acelerada impulsionada pelo crescimento das plataformas digitais. Naquele momento, ainda eram poucas as produtoras estruturadas para atender à velocidade que as marcas começavam a exigir. Foi nesse cenário que nasceu a empresa, que hoje atende grandes anunciantes e se consolidou como uma das referências em produção de conteúdo e publicidade.

Segundo Gui Ghilardi, fundador da Bizzu, desde o início a empresa enxergou que o mercado caminhava para uma lógica muito mais dinâmica. "A Bizzu nasceu em 2012, já com Skol como primeiro cliente, entregou umas das maiores coberturas de conteúdo já feitas, durante o carnaval do projeto Skol Folia, nesse job 'inventamos' a entrega de vídeos com edição simultânea; foi um case bem legal. (...) A oportunidade vista naquela época era o aumento de displays, telas e canais e a demanda por produções digitais mais flexíveis, mas ainda sim criativas e com qualidade".

Mais de uma década depois, a transformação foi muito além da tecnologia. O próprio papel das produtoras mudou. Estudos recentes da World Federation of Advertisers (WFA) mostram que apenas 30% dos líderes de marketing acreditam conseguir entregar excelência criativa de forma consistente, enquanto 68% apontam a pressão por resultados de curto prazo como um dos principais desafios. Ao mesmo tempo, dois terços das grandes marcas revisaram seus modelos de produção para atender campanhas cada vez mais multiplataforma.

Para Ghilardi, esse cenário fez com que as produtoras deixassem de ser apenas responsáveis pela execução. "A oportunidade para produtoras agora é prestar quase uma consultoria junto com a formatação de propostas comerciais. Nosso papel não é defender o cliente nem a agência. É respeitar o processo criativo e garantir que a melhor solução em termos de produção, seja encontrada para a campanha".

Essa mudança, segundo ele, também acontece porque campanhas passaram a exigir decisões sobre formatos, cronogramas, viabilidade financeira, creators, plataformas e adaptações para diferentes canais ainda durante a construção da ideia, e não apenas na fase de produção.

O impacto da Creator Economy

Entre todas as mudanças que acompanharam a trajetória da Bizzu, Ghilardi destaca o crescimento dos creators como uma das mais significativas para a publicidade.

"Acredito que agora exista a visão de 'multicanais' de forma mais definida; entender cada creator como um canal de comunicação com linguagem e público nichado, é o principal para criar projetos de conteúdo mais assertivos."

Na prática, isso significa abandonar a lógica de uma campanha única adaptada para diferentes meios. Hoje, cada plataforma e cada creator passam a participar da estratégia de forma específica.

Para o executivo, esse movimento também mudou o papel dos próprios influenciadores dentro das campanhas.

"Criativos com linguagem e públicos mais definidos, com certeza podem (e devem) participar da narrativa, linha criativa e 'diferenciais' de entrega, dentro do projeto. Não é sobre tamanho do creator; e sim sobre profundidade, contexto criativo e pertinência; a marca não dita mais sozinha o ritmo."

Mais estratégia, menos execução

Se antes bastava entregar uma produção tecnicamente impecável, hoje as expectativas das marcas são outras.

Segundo Ghilardi, clientes e agências esperam que as produtoras participem desde o início das discussões, ajudando inclusive a validar se uma ideia faz sentido operacionalmente.

"Esses dias mesmo, em uma reunião com um dos nossos maiores clientes; o pessoal do marketing comentou, que agora também precisam de caminhos estratégicos em relação a canais e influenciadores; ou seja, a ideia precisa ser viável desde o início."

Essa percepção acompanha o cenário apontado pelos estudos da WFA, que mostram uma integração cada vez maior entre equipes internas, agências e produtoras para responder ao aumento da complexidade operacional das campanhas.

Um mercado em constante transformação

Ao longo de mais de dez anos de operação, a Bizzu acompanhou o surgimento dos influenciadores, o crescimento das redes sociais e, mais recentemente, o avanço das ferramentas de inteligência artificial aplicadas à produção.

Apesar da velocidade dessas mudanças, Ghilardi acredita que o setor está mais preparado para evoluir de forma colaborativa.

"Eu vejo com muito otimismo, existe um dia a dia muito estratégico nas agências, nas empresas e nas produtoras, cada parte 'estudando' uma parte do processo; que se junta no momento do briefing e lançamento de novas campanhas."

Na visão do , o futuro da publicidade dependerá justamente dessa colaboração.

"Agências criam caminhos que impactam, as produtoras criam maneiras de viabilizar ideias e o cliente está cada vez mais aberto e entendendo, que é preciso tentar e pensar diferente; me parece que o futuro promete!"

Gui Ghilardi, fundador da Bizzu