A compra da Whalar, agência global especializada em creator e social marketing, pela Accenture, mostra que a creator economy está atingindo outro patamar. Com a operação, a empresa será incorporada à Accenture Song, unidade dedicada a marketing, criatividade, tecnologia e experiências. Os valores da transação não foram divulgados.

Mais do que adicionar uma agência ao portfólio, porém, a movimentação ajuda a mostrar o novo espaço ocupado pelos creators nas estratégias das grandes empresas.

De campanha pontual a estratégia permanente

Fundada em 2016, a Whalar acumulou mais de US$ 600 milhões em campanhas envolvendo creators, com dezenas de milhares de colaborações realizadas em mais de 40 países e 15 idiomas. A operação que será integrada à Accenture conta ainda com mais de 170 profissionais distribuídos por Estados Unidos e Europa.

A ambição da compradora ajuda a explicar o negócio.

Segundo a Accenture, a combinação das empresas pretende aproximar creator marketing de áreas como dados, inteligência artificial, social commerce e insights em tempo real. A ideia é fazer com que a atuação dos criadores deixe de ser encarada somente como uma sequência de ativações isoladas e passe a integrar de maneira mais contínua a experiência dos consumidores com as marcas.

Esse movimento acompanha uma transformação mais ampla do consumo. Pesquisa da própria Accenture publicada neste ano aponta que 58% dos consumidores consideram vídeos produzidos por usuários, como os encontrados no TikTok, tão divertidos quanto conteúdos de mídias tradicionais. Para a consultoria, creators, comunidades e formatos verticais estão entre os espaços importantes na disputa pela atenção das audiências.

Creator economy entrou no orçamento das gigantes

Há dinheiro suficiente em circulação para tornar esse interesse compreensível.

Segundo estimativa do IAB citada pela Accenture, os investimentos publicitários ligados à creator economy devem alcançar US$ 43,9 bilhões somente nos Estados Unidos em 2026.

E o tamanho do negócio não é o único elemento relevante. O que está mudando é a função desempenhada pelos creators.

Eles participam da descoberta de produtos, constroem comunidades, influenciam decisões de compra e oferecem às marcas algo especialmente disputado em um ambiente saturado de publicidade: atenção acompanhada de confiança e identificação.

É por isso que uma aquisição como a da Whalar pode ser lida para além do mercado de agências. Quando uma companhia da escala da Accenture investe para incorporar competências específicas de creator marketing à sua estrutura, o recado é significativo: trabalhar com creators está deixando de ser somente uma decisão de mídia para se tornar uma capacidade estratégica das empresas.