Quando a Black Friday se aproxima, o varejo intensifica os preparativos para garantir estoque, logística e capacidade de atender à demanda. Mas, na publicidade digital, há outro tipo de estoque que também merece atenção: o de vídeos que vão alimentar as campanhas. E ele precisa estar pronto antes mesmo de novembro.

Segundo a Pesquisa de Intenção de Compra para a Black Friday 2026, realizada pela LWSA entre julho e agosto com 1.044 consumidores, 50% dos entrevistados começam a pesquisar ofertas mais de um mês antes da data. Além disso, 54% pretendem distribuir as compras ao longo de novembro, enquanto apenas 20% planejam concentrá-las na sexta-feira, 27 de novembro.

Os números mostram que a disputa pela atenção do consumidor se estende por várias semanas. E há outro desafio para o varejo: na Black Friday de 2025, o comércio eletrônico brasileiro faturou R$ 4,76 bilhões, alta de 11,2%, segundo a Confi/Neotrust. O número de pedidos, porém, cresceu 28%, enquanto o tíquete médio recuou 12,8%.

Para Deny Zatariano, especialista em creator economy e fundador da Pikko, startup de tecnologia especializada na produção de conteúdo com creators, esse cenário exige das empresas uma comunicação mais direcionada. “Quando o consumidor compara mais e distribui suas compras ao longo do mês, não basta colocar uma oferta no ar e esperar a conversão. É preciso entender o que convence cada público e adaptar a comunicação ao longo da campanha”, explica.

Segundo ele, essa estratégia também está ao alcance de empresas de médio porte. A recomendação é usar vídeos produzidos por diferentes creators para testar mensagens, responder às dúvidas dos consumidores e manter as campanhas atualizadas, sem depender de grandes produções publicitárias.

Como usar creators antes, durante e depois da Black Friday?

Deny recomenda dividir a estratégia em três momentos. Antes das promoções, o foco deve estar em testar abordagens e despertar o interesse do consumidor. Uma empresa que vende acessórios para pets, por exemplo, pode apresentar o mesmo produto em vídeos voltados a tutores de cães pequenos, famílias com vários animais ou pessoas que acabaram de adotar um pet.

“A oferta pode ser a mesma, mas o argumento que convence cada pessoa muda. Com creators de diferentes perfis, a empresa consegue experimentar essas abordagens e identificar quais geram mais interesse antes de ampliar o investimento em mídia”, explica.

Durante a Black Week e no dia 27 de novembro, o especialista recomenda priorizar conteúdos que ajudem a converter o interesse em compra. Isso inclui vídeos de ofertas, esclarecimentos sobre condições de pagamento e entrega e novas versões de anúncios que estejam perdendo eficiência.

No pós-venda, os creators podem produzir depoimentos, demonstrações e vídeos de unboxing. Além de apoiar o relacionamento com os clientes, esses conteúdos podem ser aproveitados em campanhas de Natal.

“O erro é tratar o vídeo como uma aposta única. Com creators, a marca transforma a Black Friday em um processo contínuo de teste: descobre antes qual mensagem convence cada nicho, escala o que funciona no dia e usa o depois para vender mais no Natal”, afirma Deny.

IA acelera produção; ainda dá tempo de se preparar

Com a Black Friday marcada para 27 de novembro, o tempo para testar e ajustar campanhas começa a ficar mais curto. Para empresas que precisam produzir diferentes versões de anúncios, a inteligência artificial pode ajudar a acelerar tarefas como elaboração de briefings, orientação de gravações, conferência e análise dos materiais.

Para quem ainda não começou, o especialista sugere três ações nas próximas duas semanas: selecionar dois ou três públicos prioritários, produzir vídeos com diferentes abordagens para testar a resposta de cada grupo e organizar novas entregas para a Black Week e o pós-venda.

“Estratégia de Black Friday não depende de orçamento de gigante, depende de método. Uma empresa de médio porte que testa em outubro, ajusta durante as promoções e aprende com o pós-venda chega ao ano seguinte sabendo o que funciona, e isso nenhum desconto compra”, conclui.