A partir da próxima segunda-feira (22), a cidade de Cannes, na França, volta a receber uma das principais reuniões da indústria criativa global. Outrora destacado como uma premiação de publicidade, o Cannes Lions International Festival of Creativity tornou-se, ao longo das últimas décadas, um espaço onde se discutem os rumos da comunicação, do entretenimento, da tecnologia, da cultura e dos negócios.
A edição de 2026 acontece em um momento de transformação profunda do mercado. Nos últimos anos, temas como transformação digital, propósito de marca e inteligência artificial dominaram as conversas, mas desta vez a força da creator economy é o tema que desponta como protagonista..
Não por acaso, o festival ampliou sua aposta no LIONS Creators, plataforma criada para colocar os criadores de conteúdo no centro das discussões da indústria. A iniciativa reúne profissionais do universo da influência, executivos de plataformas digitais, agências, marcas e especialistas que ajudam a moldar um mercado que movimenta bilhões de dólares em todo o mundo.
A era dos creators chega ao palco principal
O crescimento dos criadores de conteúdo é uma realidade consolidada dentro das estratégias de marketing das maiores marcas do planeta.
O próprio Cannes Lions reflete essa mudança. Entre os participantes confirmados para os debates relacionados ao universo dos creators estão Adam Mosseri, chefe do Instagram; Dan Clancy, CEO da Twitch; Mel Robbins, uma das maiores criadoras de conteúdo e autoras da atualidade; Dhar Mann, fundador do estúdio de conteúdo que leva seu nome; e Hannah Stocking, uma das criadoras mais populares das redes sociais.
A programação dedicada aos criadores foi desenhada justamente para discutir o futuro da influência, das comunidades digitais e da relação cada vez mais próxima entre criadores, plataformas e marcas. Segundo o próprio festival, o objetivo é posicionar os creators "no coração da indústria global de marketing criativo".
Influência deixa de ser mídia e passa a ser estratégia
O avanço dos creators em Cannes acompanha uma mudança mais ampla do mercado.
Durante muitos anos, influenciadores foram vistos como canais de distribuição para campanhas publicitárias. Hoje, são encarados como produtores de cultura, construtores de comunidades e parceiros estratégicos das marcas.
Essa transformação já vinha sendo observada em edições anteriores do festival. Speakers passaram a defender que campanhas com creators funcionam melhor quando há liberdade criativa e participação efetiva desses profissionais na construção das narrativas.
O tema deve voltar a aparecer com força em 2026, especialmente diante da crescente disputa pela atenção dos consumidores e da fragmentação das audiências digitais.
Inteligência artificial, plataformas e cultura também estarão no centro das discussões
Embora os creators devam ocupar boa parte dos holofotes, outros temas estratégicos também aparecem entre os destaques da programação.
Entre os palestrantes confirmados estão Demis Hassabis, CEO do Google DeepMind; Denise Dresser, Chief Revenue Officer da OpenAI; Marc Pritchard, Chief Brand Officer da P&G; Cristina Diezhandino, CMO da Diageo; David Sandström, CMO da Klarna; e Jamie Iannone, CEO do eBay.
A presença desses executivos indica que discussões sobre inteligência artificial, construção de marcas, transformação dos meios de comunicação e novas formas de relacionamento com consumidores continuarão ocupando espaço relevante no festival.
Outro momento aguardado será a participação de Oprah Winfrey, que receberá o prêmio LionHeart 2026, uma das maiores homenagens concedidas pelo Cannes Lions a personalidades que utilizam sua influência para promover impacto positivo na sociedade.
Brasil chega forte ao festival
O Brasil também terá presença relevante na programação oficial.
Entre os nomes brasileiros confirmados estão Bruno Brux, Chief Creative Officer da GUT São Paulo; Rafael Gil, Chief Creative Officer da Artplan; Renata Gomide, vice-presidente de Marketing do Grupo Boticário; Leandro Barreto, CMO de Beauty & Wellbeing da Unilever; além do artista baiano Alberto Pitta, fundador do Cortejo Afro e referência na valorização da cultura afro-brasileira.
A participação brasileira acontece em um contexto em que o país continua sendo reconhecido como uma das maiores potências criativas da publicidade mundial, tradicionalmente figurando entre os mercados mais premiados da história do festival.
O que esperar de Cannes Lions 2026
Se existe uma palavra capaz de definir esta edição, ela é convergência.
As fronteiras entre publicidade, entretenimento, tecnologia, creators, mídia e cultura continuam desaparecendo. O que antes eram áreas separadas hoje compõem um mesmo ecossistema, onde a atenção do público se tornou o ativo mais disputado do mercado.
Nesse cenário, Cannes Lions 2026 deve consolidar um movimento que já vinha se desenhando há alguns anos: os criadores de conteúdo deixaram de ser apenas parte da conversa. Agora, eles são a própria conversa.
