Embora o futebol continue sendo o centro do espetáculo, a Copa do Mundo passou a ocupar um espaço muito maior na cultura contemporânea. Hoje, ela movimenta conversas sobre moda, música, comportamento, humor, identidade, gastronomia e até estilo de vida.
Em muitos momentos, os assuntos mais comentados não estão necessariamente relacionados ao resultado das partidas, mas aos memes, aos bastidores, às reações e às histórias compartilhadas por milhões de pessoas nas redes sociais.
Por trás dessa transformação está um fenômeno que vem redefinindo a maneira como o público consome grandes eventos: a ascensão da creator economy.
Segundo estimativas da consultoria Goldman Sachs, a economia dos criadores pode ultrapassar US$ 480 bilhões até 2027, consolidando um cenário em que qualquer pessoa com capacidade de gerar conexão pode influenciar conversas em escala global.
Na Copa, esse movimento encontrou um terreno perfeito.
Quando o torcedor deixou de ser apenas audiência
Durante grande parte da história do torneio, o público ocupava uma posição relativamente passiva. Assistia aos jogos, comentava com amigos e acompanhava as análises produzidas por jornalistas e especialistas.
Hoje, a lógica é outra.
Com smartphones, plataformas sociais e ferramentas de criação acessíveis, cada torcedor também se tornou produtor de conteúdo. A experiência deixou de ser apenas consumida para ser registrada, reinterpretada e compartilhada em tempo real.
Para Ingrid Spyker, fundadora da Creators Brand e especialista em marketing de influência, a principal mudança está justamente na multiplicação das narrativas.
"A creator economy transformou um grande evento em milhões de narrativas individuais. Antes, consumíamos a Copa pela televisão. Agora, vivemos a Copa em múltiplas telas e sob múltiplos pontos de vista."
Essa mudança ajuda a explicar por que um mesmo lance pode gerar milhares de interpretações diferentes e por que a repercussão digital de uma partida, muitas vezes, dura mais do que o próprio jogo.
O futebol continua sendo o centro. Mas não é mais o único assunto
A força da Copa sempre esteve ligada à sua capacidade de mobilizar emoções coletivas. O que mudou foi a quantidade de camadas que passaram a existir ao redor do evento.
Hoje, uma partida pode gerar debates sobre a roupa utilizada por um jogador na chegada ao estádio, a trilha sonora que viralizou entre os torcedores, os hábitos de uma determinada seleção ou até os costumes culturais de um país.
"O esporte continua sendo o centro, mas a Copa se tornou um reflexo da cultura. É um momento em que moda, música, gastronomia, humor e comportamento se encontram. O futebol é o gatilho, mas as conversas são muito maiores", afirma Ingrid.
Essa expansão ajuda a explicar por que pessoas que sequer acompanham campeonatos regularmente acabam participando da experiência da Copa.
Elas podem não se interessar pelo aspecto técnico do esporte, mas querem fazer parte do momento cultural.
Hoje, a identificação passou a ser igualmente importante.
Os creators ajudam a traduzir a experiência coletiva para a linguagem das pessoas comuns. Mostram a ansiedade antes da partida, a superstição de quem acompanha cada lance, a comemoração exagerada depois de um gol ou a frustração diante de uma eliminação inesperada.
É justamente essa dimensão humana que fortalece a conexão com o público.
"Os creators mostram o jogo pela perspectiva das pessoas comuns. A ansiedade, a superstição, a comemoração e a frustração. Isso gera identificação", explica Ingrid.
As pessoas não acompanham apenas quem informa. Acompanham quem faz com que elas se sintam parte da história.
A Copa como símbolo de pertencimento
Talvez a grande transformação promovida pelos criadores esteja na forma como a Copa passou a funcionar como uma experiência de pertencimento.
Mais do que torcer por uma seleção, participar da Copa hoje significa integrar conversas, comunidades e referências compartilhadas por milhões de pessoas.
“O carisma se tornou tão valioso quanto a audiência. Hoje, as pessoas não buscam apenas alcance, mas conexão. Um creator carismático consegue transformar um momento coletivo em algo íntimo, fazendo com que milhões de pessoas sintam que estão vivendo aquilo junto com ele”, diz a fundadora da Creators Brand.
Os memes, as tendências, os vídeos de reação e os conteúdos produzidos em tempo real ajudam a construir uma espécie de memória coletiva digital do torneio.
É uma experiência simultaneamente global e pessoal.
Todos assistem ao mesmo evento, mas cada um o vive de uma maneira diferente.
A Copa já não pertence apenas ao futebol
A Copa do Mundo continua sendo o maior evento do futebol. Mas talvez essa definição já não seja suficiente.
Ao longo dos últimos anos, ela se transformou em uma plataforma cultural capaz de reunir esporte, entretenimento, identidade, criatividade e comunidade em uma única conversa global.
E os creators tiveram papel decisivo nessa mudança.
Eles não substituíram jornalistas, transmissões ou veículos tradicionais. Fizeram algo diferente: ampliaram a experiência.
“E isso não exclui os públicos tradicionais. Pelo contrário, cria pontos de conexão. Um torcedor mais clássico continua assistindo ao jogo, enquanto as novas gerações vivem a partida também através das conversas, das redes sociais e dos creators. A Copa deixa de ser apenas um evento esportivo e se torna um ecossistema de entretenimento com múltiplos canais de acesso”, salienta a especialista.

Ingrid Spyker, fundadora da Creators Brand
Transformaram o torcedor em narrador, a emoção em conteúdo e o evento esportivo em um fenômeno cultural que ultrapassa os limites do campo.
Talvez seja justamente por isso que a Copa mobilize tanto interesse mesmo entre quem não acompanha futebol regularmente.
“A Copa de 2026 tem potencial para ser lembrada como a primeira em que a experiência foi construída simultaneamente pelas transmissões oficiais e por milhões de criadores, influenciadores e torcedores. O conteúdo não será apenas sobre os jogos, será sobre histórias, emoções, bastidores, tendências e comunidades”, finaliza.
