A Anthropic, desenvolvedora do Claude, anunciou que passará a inserir uma marca d'água invisível em textos gerados por seus modelos mais recentes, lançados a partir de 2 de agosto. O mecanismo, incorporado diretamente ao conteúdo, foi desenvolvido para acompanhar o texto mesmo depois de copiado e colado em outras plataformas, e é detectável por ferramentas específicas usadas por desenvolvedores, usuários e terceiros. A medida faz parte da estratégia da empresa para cumprir as exigências do AI Act, a lei de inteligência artificial da União Europeia, mas será aplicada globalmente. 

A própria desenvolvedora reconhece que a tecnologia tem limites: encontrar a marca não comprova quem escreveu o texto originalmente, já que a ferramenta também é usada para revisar, resumir e traduzir conteúdos de autoria humana, e a ausência do sinal tampouco garante que o material não foi gerado artificialmente, uma vez que edições extensas, traduções ou conversões de formato podem eliminá-lo. A companhia, junto a Google, Meta, Microsoft, Mistral e OpenAI, assinou um compromisso semelhante na União Europeia; a xAI, dona do Grok, foi a única grande empresa do setor que não aderiu. 

De acordo com dados do Projeto Brief sobre o impacto da inteligência artificial na democracia, esse tipo de dificuldade em identificar conteúdo gerado por inteligência artificial já é uma realidade entre os brasileiros, pois apenas 45,3% dos participantes que assistiram a um vídeo com discurso do presidente Lula gerado pela tecnologia reconheceram corretamente sua origem sintética, índice que cai para 20,9% entre pessoas com 61 anos ou mais. 

"Os dados mostram que, mesmo com avanços como a marcação de conteúdo pelas próprias empresas de IA, o desafio segue sendo grande: a maior parte da população ainda não consegue identificar quando um conteúdo é sintético. Isso reforça a importância de medidas de transparência, mas também de investimento em alfabetização digital, especialmente porque nem todo mecanismo de identificação é infalível", avalia o coordenador geral Ricardo Borges. 

A demanda por transparência é ampla entre os brasileiros, uma vez que 83,2% consideram importante ter consciência de quando um conteúdo foi criado por IA, e 50,7% defendem que conteúdos políticos produzidos com a tecnologia tragam obrigatoriamente um aviso ou selo de identificação. Ao mesmo tempo, 60,9% dos entrevistados veem risco de a IA ser usada para enganar ou manipular, e 54,0% dizem que a tecnologia pode dificultar a distinguir o que é real ou criado em textos, imagens e vídeos. 

"A abertura para consultar a IA sobre candidatos é alta e cresce ainda mais entre quem já usa a tecnologia no dia a dia. O que chama atenção é que essa disposição convive com a desconfiança: as mesmas pessoas que usariam a IA para se informar reconhecem que ela pode enganar", completa Carol Luck, coordenadora do Projeto Brief.