As redes sociais são cada vez mais espaços disputados para conquistar a atenção do público. Com a informação circulando principalmente nesses ambientes, empresas têm adaptado a forma de fazer publicidade, buscando formatos mais próximos da linguagem que as pessoas já consomem na rotina. Entre as estratégias estão investimentos em creators, podcasts, vídeos longos e na produção de cortes que podem circular por diferentes plataformas.
Um estudo divulgado pela Magellan AI, analisou 94.823 episódios de podcasts e mostrou que o investimento publicitário nesse formato cresceu 23% no segundo trimestre de 2026, na comparação anual. Além disso, 1.297 marcas anunciaram em podcasts pela primeira vez no período.
Para Paulo Grego, CMO da Real Oficial, a mudança está relacionada à forma como o público passou a conhecer as marcas. “Quando uma empresa investe em um podcast ou em um creator, existe um potencial maior de distribuição. Um episódio pode gerar dezenas de cortes, cada um com uma abordagem diferente e chegar a públicos que talvez nunca encontrassem a marca por uma campanha tradicional”, explica.
Segundo o executivo, esse movimento acompanha uma transformação na própria publicidade, que passa a buscar formatos mais naturais e alinhados ao comportamento de quem consome esses conteúdos.
“As marcas estão entendendo que precisam estar onde as pessoas estão e falar a linguagem que elas já acompanham. Já tivemos episódios que renderam 100 mil visualizações enquanto os cortes renderam 20 milhões. A comunicação se torna mais atrativa e a marca consegue criar uma afinidade com o consumidor”.
O valor dessa estratégia, segundo Paulo, está na capacidade de transformar uma produção em diversos pontos de contato. “O corte funciona porque ele entrega uma ideia completa em poucos segundos. Se aquele conteúdo consegue prender a atenção, gerar identificação ou despertar uma dúvida, o consumidor pode passar a pesquisar sobre aquela pessoa, aquele assunto e sobre a marca que está por trás da produção. É nesse sentido que a atenção começa a se transformar em relacionamento e posteriormente, em negócio”, afirma.
Nesse modelo, a produção de conteúdo está funcionando como um ativo que pode ser reaproveitado, distribuído e adaptado para diferentes plataformas. Para as marcas, isso significa um aumento da presença digital sem necessariamente reproduzir a mesma mensagem em todos os canais, mas adaptá-la aos formatos e hábitos de consumo de cada público.
“Os próprios consumidores desses conteúdos podem ajudar a ampliar essa distribuição. Isso muda a aquisição de clientes e por isso as marcas estão investindo nesse formato”, conclui o executivo.

