A forma como as pessoas buscam informação na internet mudou. Em vez de digitar palavras-chave em buscadores tradicionais, usuários passaram a conversar com ferramentas de inteligência artificial (IA) como ChatGPT, Gemini e Perplexity, que entregam respostas prontas, contextualizadas e sintéticas.
Esse movimento vem alterando a lógica de descoberta de conteúdo online e reduzindo a centralidade dos links como principal porta de entrada para informações. O que antes era dominado pelas regras do SEO (Search Engine Optimization), hoje ganha novos formatos com o GEO (Generative Engine Optimization), a prática de otimizar conteúdo para aparecerem nas respostas geradas por inteligências artificiais generativas.
Para Marta Dourado, CEO da Fundamento Grupo de Comunicação, essa mudança já exige ajustes concretos na forma como as empresas e criadores estruturam sua presença digital, desde o conteúdo até os elementos dentro dos próprios sites. Pensando nisso, ela analisa o que muda na prática e o que as marcas precisam fazer para se adaptar à nova lógica das buscas mediadas pela inteligência artificial. Confira:
Conteúdos mais claros
O conteúdo deixa de ter como objetivo principal o ranqueamento. Agora, a finalidade é ser compreendido e utilizado pela IA como fonte confiável pelos buscadores, que utilizam essas informações para gerar respostas aos usuários.
De acordo com Marta, isso exige um nível maior de clareza e profundidade na produção. “O conteúdo precisa ser completo o suficiente para ser entendido sozinho. A IA não depende mais apenas de links, ela interpreta o próprio texto e decide se aquilo é confiável ou não”, explica.
Dados do Pew Research Center mostram que 60% das buscas iniciadas com termos interrogativos, como “quem”, “o que”, “quando” e “por que”, acionam resumos gerados por inteligência artificial. Para a executiva, esse comportamento reforça a necessidade de conteúdos mais objetivos, completos e estruturados para responder dúvidas reais dos usuários.
Hiperlinks perdem protagonismo
Embora ainda tenham relevância como referência e contexto, os hiperlinks perdem espaço como principal mecanismo de autoridade dentro de ambientes baseados em IA generativa.
A lógica de dependência de links muda. O que passa a importar é a consistência da informação e a capacidade do conteúdo de se sustentar por si só como fonte confiável”, destaca a executiva.
Na prática, os backlinks permanecem importantes no GEO, mas perdem peso relativo para as menções de marca. Enquanto o SEO tradicional valoriza links como votos de confiança entre domínios, a inteligência artificial interpreta menções textuais como indicadores de autoridade e relevância. “Isso significa que uma empresa citada frequentemente em contextos positivos por fontes confiáveis ganha preferência nas respostas das IAs, mesmo sem links diretos”, comenta a CEO da Fundamento Grupo de Comunicação.
Data Driven PR
Menções de marca em contextos positivos funcionam como sinais de confiança nos critérios de GEO. Diferentemente dos backlinks, que transferem autoridade entre domínios, as menções influenciam a forma como modelos de linguagem interpretam a credibilidade e a relevância de uma marca em contextos específicos.
Nesse cenário, a assessoria de imprensa orientada a dados – também conhecida como Data Driven PR – torna-se uma estratégia fundamental para GEO. A produção de pesquisas originais, análises de mercado e insights baseados em dados proprietários gera conteúdos mais atrativos para veículos de comunicação e influenciadores, ampliando a credibilidade e a autoridade da marca.
Elementos como banners e formatos tradicionais de display continuam relevantes para a experiência do usuário, mas começam a perder destaque com a descoberta de marcas acontecendo cada vez mais por meio de respostas mediadas por inteligência artificial. “Com a mediação da IA, os banners deixam de cumprir apenas uma função de conversão imediata e passam a reforçar presença e reconhecimento de marca dentro de uma estratégia mais ampla de reputação digital”, afirma.
Segundo a executiva, isso também amplia a importância de ações integradas entre branding, conteúdo, reputação e presença institucional. “Empresas que compreenderem essa transformação com antecedência terão vantagem competitiva na construção de relevância digital. Mais do que disputar posições em buscadores, o desafio agora é construir autoridade suficiente para ser reconhecida como fonte confiável em um ambiente mediado por inteligência artificial”, completa.
