A Geração Z está mudando a lógica da creator economy e transformando a produção de conteúdo digital em uma carreira estruturada desde cedo. Diferente das gerações anteriores, que enxergavam as redes sociais como hobby ou complemento de renda, muitos jovens creators já iniciam sua trajetória digital pensando em audiência, monetização e construção de marca pessoal e os números confirmam essa virada.

Os jovens dominam a economia da criação

O Brasil já conta com mais de 14 milhões de criadores de conteúdo, e a Geração Z ocupa um papel cada vez mais central nesse ecossistema. De acordo com o Censo de Criadores 2025, 71% dos creators pertencem à Geração Z, com idades entre 18 e 26 anos. Já a pesquisa "Quem Influencia a Geração Z", realizada pela Trope em parceria com a YouPix, aponta que 84% dos jovens dessa geração consomem conteúdo de influenciadores diariamente.

Não é por acaso que essa faixa etária se destaca: a Geração Z apresenta maior domínio das ferramentas digitais e consegue, proporcionalmente, monetizar mais do que outras faixas etárias. O mercado global, por sua vez, caminha para uma expansão expressiva: projeções da Goldman Sachs apontam que a creator economy deve movimentar US$ 480 bilhões até 2027.

Do algoritmo para a comunidade

Nesse cenário, cresce o uso de plataformas fechadas, como o Telegram, utilizadas não apenas para interação com seguidores, mas principalmente como ferramentas de exclusividade, monetização e controle de acesso ao conteúdo. O movimento acompanha uma mudança no comportamento dos criadores, que passaram a buscar menos dependência dos algoritmos das redes tradicionais e mais autonomia sobre a própria audiência.

O Telegram, por sua vez, vive um momento de expansão: em março de 2025, a plataforma ultrapassou 1 bilhão de usuários ativos por mês, com canais públicos somando mais de 1 trilhão de visualizações mensais. No Brasil, microempreendedores, criadores de conteúdo e pequenos negócios passaram a enxergar no Telegram uma alternativa para gerar renda com custos operacionais menores, engajamento mais fiel e jornadas de compra simplificadas.

A visão do mercado

Para a VIBX, empresa especializada em automação, crescimento e estruturação de comunidades digitais, o cenário mostra uma transformação mais profunda na relação entre creators, plataformas e audiência. "A nova geração já entra na internet entendendo a criação de conteúdo como profissão. Existe uma visão muito mais estratégica sobre audiência, monetização e construção de marca pessoal", afirma Fernando Werneck, CEO da empresa.

Segundo ele, plataformas como o Telegram ganharam força justamente por oferecerem mais controle e independência aos criadores. "O creator hoje busca canais onde consiga ter autonomia sobre a audiência e criar modelos próprios de monetização. Em muitos casos, parte do conteúdo passa a existir em ambientes fechados, exclusivos ou por assinatura. É uma mudança importante na forma como a influência digital funciona", diz.

Um novo ativo: a exclusividade

O movimento também altera a dinâmica do mercado publicitário e da creator economy, que passa a olhar não apenas alcance, mas capacidade de retenção, engajamento e conversão dentro de comunidades próprias. No Brasil, 66% dos consumidores afirmam ter comprado ou testar novas marcas por indicação de influenciadores, o que reforça que a influência deixou de ser só visibilidade para se tornar motor direto de vendas.

Na prática, a vida privada, os bastidores e o acesso mais exclusivo ao creator passam a se transformar em ativos digitais monetizáveis, impulsionando um novo modelo de negócio dentro da economia da influência. A diversificação de fontes de renda, afiliados, produtos próprios, licenciamento, assinaturas  deixou de ser diferencial e passou a ser condição de sobrevivência para quem quer se sustentar de verdade nesse mercado.

Keep Reading