A inteligência artificial está transformando o mercado criativo. Pequenos empreendedores e profissionais em início de carreira passaram a contar com ferramentas capazes de acelerar a criação de identidades visuais e peças publicitárias, reduzindo barreiras de acesso a recursos que antes exigiam estruturas maiores ou investimentos mais altos.
Segundo dados do estudo global State of the Designer 2026, da Figma, 89% dos designers trabalham mais rápido com o apoio da IA e 91% afirmam que a tecnologia melhora seus projetos. Nesse cenário, a democratização do design traz novas possibilidades para o mercado, mas também levanta discussões importantes sobre autoria, diferenciação, ética e sobre como as empresas tomam decisões diante dessas transformações.
Para designers, a tecnologia também pode representar um ganho de produtividade: dezenas de possibilidades podem ser exploradas em menos tempo, permitindo testar caminhos visuais e concentrar esforços nas decisões que exigem repertório, contexto e intenção criativa. Ao mesmo tempo, essa mudança atinge a percepção sobre o processo de criação. À medida que determinadas etapas se tornam mais rápidas e acessíveis, ganha importância aquilo que não pode ser reduzido a uma ferramenta: a capacidade de compreender o negócio, interpretar o público, construir uma narrativa, fazer escolhas visuais coerentes e transformar uma necessidade em uma solução de design. A tecnologia pode acelerar a execução, mas o resultado continua dependendo das decisões que orientam o processo. E essas decisões não estão só nas mãos de quem cria: estão nas mãos de quem lidera o negócio.
Outro desafio é a sensação de falsa autonomia proporcionada por resultados rápidos. Uma peça visualmente bem resolvida não necessariamente responde aos objetivos de uma marca ou de uma campanha.
Para gestores e empreendedores, o risco é confundir velocidade de produção com estratégia. Nesse contexto, o olhar especializado do designer continua sendo importante para avaliar escolhas, identificar problemas e garantir coerência entre forma, mensagem e estratégia.
Por fim, a automação de etapas mais repetitivas não diminui a importância do trabalho profissional, mas pode abrir espaço para que designers dediquem mais tempo às decisões criativas e estratégicas. O profissional passa a contar com a IA como uma ferramenta adicional em seu processo, utilizando-a para pesquisar, experimentar, testar possibilidades e ganhar eficiência, sem abrir mão do repertório e da capacidade crítica que orientam suas escolhas.
A IA baixou o custo de criar, mas o custo de decidir errado continua o mesmo.

Por Marcel Albuquerque, Head de E-commerce e Marketing da Printi

