Nos acostumamos com uma dinâmica na qual a infraestrutura da Creator Economy sempre esteve nas mãos dos próprios creators: um celular, um ring light, um quarto adaptado e, quando possível, algum equipamento melhor. Conforme conteúdo e influência passaram a movimentar negócios, porém, essa lógica começou a mudar.

O Mercado Livre inaugurou em São Paulo o Estúdio Mercado Livre, uma estrutura de 193 m² criada para produção audiovisual, capacitação e conexão com sua comunidade de vendedores, afiliados e criadores. O espaço foi desenvolvido em parceria com a Community Creators Academy e a California Content House.

De onde vem a nova estrutura da Creator Economy?

Localizado na zona oeste de São Paulo, o estúdio reúne nove ambientes independentes, incluindo espaços individuais para transmissões, uma sala multiuso que também pode receber podcasts e uma arquibancada para pequenos eventos. O uso é gratuito e inclui recursos como internet, iluminação, tripés, celulares e mobiliário para cenários.

A estrutura será utilizada também para aulas, workshops, palestras e encontros.

A escala ajuda a explicar o investimento. Segundo o próprio Mercado Livre, sua comunidade de afiliados e criadores já reúne mais de 8 milhões de participantes na América Latina.

E o movimento não acontece isoladamente. Em 2026, o Mercado Livre ampliou a presença de creators em sua estratégia de social commerce e levou uma cota específica para afiliados e criadores ao Big Brother Brasil. Dados divulgados pela empresa também apontaram crescimento de 342% na base de afiliados em determinado período de comparação.

Creator deixa de ser apenas audiência

O que está por trás dessa movimentação é uma mudança importante no papel do creator dentro do comércio digital.

No modelo tradicional de publicidade, o influenciador ajuda uma marca a alcançar determinado público. No social commerce, ele pode participar de uma cadeia muito mais próxima da venda: produz o conteúdo, recomenda o produto, direciona a audiência e pode ser remunerado pelo resultado.

O próprio programa de Afiliados e Criadores do Mercado Livre prevê remuneração por vendas e, para creators aprovados, também por visualizações de vídeos publicados no Instagram e TikTok. Atualmente, a companhia informa que as comissões por venda podem chegar a 16%, dependendo do produto e das condições da campanha.

Isso ajuda a entender por que produzir conteúdo passou a interessar diretamente aos marketplaces. Quanto melhor o creator consegue apresentar, demonstrar e contextualizar um produto, mais próxima fica a fronteira entre conteúdo, influência e conversão.

Foto de capa: por Bruna Lencioni