Entre os dias 13 e 15 de maio, o complexo do Pacaembu e a FAAP se tornaram o epicentro da inovação na capital paulista. A primeira edição do São Paulo Innovation Week (SPIW) reuniu mais de 1.500 palestrantes, com mais de 30 palcos,em uma estreia que, em proporções e ambição, se colocou ao lado dos maiores festivais de tecnologia do cenário nacional.
Mas o festival foi além do que o nome sugere. Com trilhas que cruzaram inteligência artificial, neurociência, agronegócio, cultura, mobilidade urbana e empreendedorismo, o SPIW mostrou que inovação, em São Paulo, tem muitas linguagens.
Palestras que pararam o público
Um dos momentos mais comentados foi o encontro entre o físico Marcelo Gleiser e a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, no painel "Pensar melhor para viver melhor: o futuro da mente humana". A conversa lotou o palco na FAAP e equilibrou a ciência de ponta com reflexões acessíveis sobre comportamento e aprendizado, o tipo de debate que raramente aparece em eventos de tecnologia.
Outro destaque foi o painel "Fluxos: Identidade, Travessia e Pertencimento", com Txai Suruí, Christian Dunker e Gabriela Pederneiras. A discussão sobre identidade em um mundo hiperconectado trouxe perspectivas que fugiram do formato corporativo e chamaram atenção pela profundidade. Luiz Felipe Pondé e Fabrício Carpinejar também marcaram presença nos debates sobre comportamento humano e sociedade contemporânea.
Na trilha de Inteligência Artificial, as palestras sobre agentes autônomos e sobre o embate entre IA e cibersegurança movimentaram o Palco 8 do Pacaembu. Já o cineasta e também vencedor do Oscar Globo de Ouro e do Grammy, norte-americano Spike Jonze surpreendeu ao trazer uma visão sobre criatividade e experimentação que ressoou especialmente entre o público menos técnico.
O que as marcas trouxeram de diferente
Do lado das ativações, algumas empresas souberam transformar seus estandes em experiências que o público realmente quis viver. Um dos mais concorridos foi o da Meta em parceria com a Oakley, que apresentou ao público brasileiro os novos óculos inteligentes da linha, dispositivos com inteligência artificial integrada que chegaram recentemente ao mercado. No estande, consultores explicavam o funcionamento de cada modelo e os visitantes podiam testar os óculos em atividades práticas. Umz delas foi a de golfe online: com os óculos, o jogo projetava a linha ideal de tacada em tempo real, mostrando o ângulo e a direção exatos para acertar a bolinha no buraco. Simples, interativo e surpreendente, foi o tipo de experiência que une tecnologia e diversão sem precisar de explicação.
A NVIDIA também marcou presença com uma ativação voltada ao universo gamer, combinando palestras sobre IA nos jogos com demonstrações interativas. E o Governo de São Paulo apostou numa experiência imersiva em formato de jogo 3D com elementos de escape room, simulando uma missão de defesa do estado contra ataques cibernéticos, uma forma incomum, e bastante eficaz, de apresentar política pública ao grande público.
Uma estreia à altura da cidade
O SPIW estreou como uma das iniciativas mais ambiciosas do ecossistema de inovação brasileiro. Com delegações de 20 países numa área dedicada à diplomacia da inovação, o evento sinalizou que São Paulo quer, de fato, ocupar um lugar de protagonismo no mapa global da tecnologia.
A segunda edição ainda não tem data confirmada, mas a primeira já deixou claro: há espaço, público e energia para isso.

