O próximo grande passo de um criador brasileiro pode não estar no Brasil. Pelo menos, essa é uma das apostas do YouTube para 2027.
Durante o Brandcast 2026, realizado na quarta-feira (7), em São Paulo, a plataforma apresentou novidades que colocam a Creator Economy no centro de sua estratégia para o próximo ano. Entre os destaques estão recursos de inteligência artificial, expansão das oportunidades comerciais e ferramentas para levar conteúdos produzidos no País a audiências internacionais.
Com o tema “A Era do YouTube”, o evento reuniu executivos, marcas e profissionais do mercado para discutir uma transformação que já ultrapassa o consumo de vídeos: criadores estão se consolidando como empresas de mídia, entretenimento e comércio.
A dimensão desse mercado ajuda a explicar a aposta. Segundo dados apresentados pela plataforma, o YouTube alcança mais de 130 milhões de pessoas no Brasil. Desse público, mais de 90 milhões acompanham conteúdos por meio de televisores conectados, conforme informações da Kantar.
Do Brasil para o mundo, sem precisar falar outro idioma
Uma das principais novidades está relacionada à internacionalização dos creators brasileiros.
O YouTube anunciou avanços em ferramentas de dublagem automática que permitem disponibilizar vídeos em diferentes idiomas, preservando características da entonação original do criador. A plataforma também apresentou recursos de tradução e dublagem em tempo real para transmissões ao vivo.
Na prática, a proposta é reduzir uma das barreiras mais tradicionais para quem deseja conquistar audiências fora do próprio país: o idioma.
A estratégia encontra espaço em um movimento que já acontece. Segundo dados divulgados pelo YouTube em seu relatório de impacto econômico, mais de 15% do tempo de exibição dos conteúdos produzidos no Brasil vem de espectadores internacionais.
Mais audiência, mais possibilidades de monetização
A internacionalização também chega ao comércio digital.
Com a expansão do YouTube Shopping para outros países da América Latina e da Europa, criadores brasileiros passam a contar com novas possibilidades de receber comissões por vendas realizadas para consumidores de outros mercados.
O programa de afiliados, lançado oficialmente no Brasil em novembro de 2025, já vinha ganhando espaço. Em agosto deste ano, 40% dos criadores elegíveis haviam aderido à ferramenta, segundo informações divulgadas pela plataforma ao Meio & Mensagem.
Ao longo do Brandcast, também foram apresentadas iniciativas para facilitar a relação comercial entre marcas e influenciadores, incluindo recursos de inteligência artificial voltados à elaboração de materiais de apresentação para possíveis patrocinadores.
Criadores deixam de disputar apenas a tela do celular
Mais um ponto trazido pelo evento foi o crescimento do YouTube na televisão.
A plataforma destacou o papel de transmissões esportivas, podcasts e produções de entretenimento na mudança dos hábitos de consumo.
A tendência amplia as possibilidades para os próprios creators. Se antes a produção digital era associada principalmente ao consumo individual no smartphone, hoje ela também disputa espaço na principal tela da casa.
Para as marcas, isso muda a relação com a publicidade. Os criadores deixam de representar somente oportunidades de divulgação nas redes e passam a integrar projetos de entretenimento, transmissões ao vivo e formatos comerciais mais elaborados.
Segundo pesquisa da Kantar divulgada pelo Google, 66% dos espectadores brasileiros entrevistados afirmam ter maior probabilidade de comprar de uma marca que patrocina um criador importante para eles no YouTube.

